Dantas, juliana. Vine x Instagram

  • Published on
    17-Jul-2015

  • View
    38

  • Download
    24

Transcript

  • UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

    Centro de Cincias Humanas, Letras e Artes

    Departamento de Comunicao Social

    JULIANA DANTAS

    VINE X INSTAGRAM:ESTUDO DE CASO COMPARATIVO SOBRE A PRODUO

    AUDIOVISUAL PARA PEQUENAS MDIAS

    NATAL RN 2013

  • JULIANA DANTAS

    VINE X INSTAGRAM:ESTUDO DE CASO COMPARATIVO SOBRE A PRODUO

    AUDIOVISUAL PARA PEQUENAS MDIAS

    Monografia apresentada ao Departamento de

    Comunicao Social, do Centro de Cincias

    Humanas, Letras e Artes da Universidade

    Federal do Rio Grande do Norte

    (DECOM/CCHLA/UFRN) como Trabalho de

    Concluso de Curso (TCC) para obteno do

    ttulo de Bacharel em Comunicao Social

    (Habilitao Rdio e TV).

    Orientadora: Profa. Ms. SONIA REGINA SOARES DA CUNHA

    NATAL RN 2013

  • FOLHA DE APROVAO

    JULIANA DANTAS

    VINE X INSTAGRAM: ESTUDO DE CASO COMPARATIVO SOBRE A PRODUO

    AUDIOVISUAL PARA PEQUENAS MDIAS

    Monografia apresentada ao Departamento de

    Comunicao Social, do Centro de Cincias

    Humanas, Letras e Artes da Universidade

    Federal do Rio Grande do Norte

    (DECOM/CCHLA/UFRN) como Trabalho de

    Concluso de Curso (TCC) para obteno do

    ttulo de Bacharel em Comunicao Social

    (Habilitao Rdio e TV).

    Aprovada em: ____/_____/_____

    Comisso Examinadora:

    _____________________________________________________________________

    Profa. Ms. SONIA REGINA SOARES DA CUNHA (UFRN) Orientador

    _____________________________________________________________________

    Prof. Ms. EMILY GONZAGA DE ARAUJO (UFRN) Examinador

    _____________________________________________________________________

    Prof. Ms. BRUNO SERGIO FRANKLIN FARIAS GOMES (UFRN) Examinador

    Coordenador Pro Tempore do Curso de Comunicao Social:

    Prof. Dr. ITAMAR DE MORAIS NOBRE

    NATAL - RN

    2013

  • Aos meus pais.

  • AGRADECIMENTOS

    Primeiramente, agradeo a famlia que sempre incentivou meus estudos, mesmo diante

    das situaes mais difceis. Fernanda Dantas, minha me e exemplo de bravura. Jos

    Everaldo Dantas e Ernestina Honorato Dantas, meus avs-pai e me, responsveis pela minha

    criao e doutores de minha educao. Aos meus tios-irmos Fabiano Dantas, Fbio Henrique

    Dantas e Fernando Dantas pois sempre tiveram pacincia e proporcionaram grande aprendizado

    a sua irm caula. E aos meus primos-sobrinhos Alexia Amanda de Almeida Dantas e Nathan

    Gabriel Pereira Dantas. E agradeo tambm Karl Dantas pela pacincia e ensinamentos

    constantes.

    Agradeo aos amigos por me guiarem em diversas das minhas escolhas e nunca

    desvirtuarem meu caminho. Aos amigos da Rua Dr. Jos Francisco da Silva, em especial a

    Idaliana Fagundes de Souza por estar ao meu lado desde o primeiro ano de minha vida. Aos

    amigos do curso de Comunicao Social ajudantes em minha formao, so eles: Arthur

    Barbalho, Davi Severiano, Hana Dourado, Isaas Bezerra e Jomar Dantas. Deivson Mendes,

    Joo Paulo Santos, Frank Aleixo e Thyago Cesar pela constante amizade e parceria. E um

    agradecimento especial ao amigo Fbio Felipe Wanderley, meu irmo e professor, o maior

    presente que o destino deu ao meu renascimento, quando ingressei no curso de Comunicao

    Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte em 2009.

    Aos mestres e doutores do corpo docente do Departamento de Comunicao Social,

    fundamentais para minha formao. Em especial queles que me estimularam a buscar

    conhecimento mesmo quando eu pensava em desistir: Ao Chefe do DECOM, Sebastio

    Faustino por ser um exemplo de gestor. Ao Coordenador Ary Azevedo por despertar meus

    anseios para a Publicidade e Propaganda. ngela Pavan, responsvel por aprimorar minha

    sensibilidade em relao ao outro. Ruy Rocha. Aos professores Bruno Gomes e Emily

    Gonzaga por serem to compreensveis e solcitos com essa aluna que nem sempre se dedicou

    o bastante. E agradeo especialmente a minha orientadora Snia Regina, que me acolheu no

    passo mais importante de minha graduao, segurou minha mo e me ajudou a prosseguir.

    Por fim, agradeo Rodrigo Tavares, Gustavo Mantovani, Carla Miranda e Rodrigo Ceni,

    meus dolos e amigos, por serem o constante pulsar de meu corao. Agradeo a Lucas Silveira

    por ser o porta-voz do alimento que me fortalece todos os dias, a banda Fresno. Por me reerguer

    de todas as minhas quedas e me fazer enfrentar meus medos dizendo que os sonhos so

    objetivos que a gente re-batiza desse jeito apenas para que paream inatingveis. E o nosso salto

    pode ser do tamanho que a gente conseguir imaginar. Basta que a gente perca o medo de molhar

    os ps.

  • A revoluo no acontece quando a sociedade

    adota novas ferramentas. Acontece quando a

    sociedade adota novos comportamentos.

    (Clay Shirky)

  • RESUMO

    DANTAS, Juliana. VINE X INSTAGRAM: Estudo de Caso comparativo sobre a produo

    audiovisual para pequenas mdias. 2013. 57p. Trabalho de Concluso de Curso (Bacharelado).

    Departamento de Comunicao Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte

    (DECOM/UFRN). Orientadora: Profa. MSc. Sonia Regina Soares da Cunha.

    O objetivo deste estudo investigativo registrar, descrever e analisar aspectos da micro

    produo audiovisual utilizando-se os aplicativos Vine e Instagram e veiculada atravs do

    aparelho de celular inteligente (smartphone). A metodologia escolhida foi a do estudo de caso

    duplo (YIN, 2005), aliando-se tambm, as tcnicas de reviso de literatura e documental,

    entrevistas e observao participante. A investigao revelou que os sites de redes sociais (Vine

    e Instagram) so plataformas de comunicao audiovisual baseadas na web e que permitem

    interao entre os integrantes, devidamente cadastrados. Estes agentes sociais se reconhecem

    como consumidores e ao mesmo tempo, se identificam como produtores de uma nova mdia,

    cuja informao e inspirao surgem de fontes muito alm da mdia hegemnica tradicional.

    Palavras-Chave: Redes Sociais. Comunicao. Audiovisual.

  • ABSTRACT

    DANTAS, Juliana. VINE x INSTAGRAM: Comparative Case Study on audiovisual production

    for small media. 2013. 57p. Conclusion Paper degree. Communication Department of the

    Universidade Federal do Rio Grande do Norte (DECOM / UFRN). Advisor: Prof. MSc. Sonia

    Regina Soares da Cunha.

    The objective of this study is describe and analyze aspects of micro audiovisual production

    using Vine and Instagram apps and conveyed through the smartphone device. The methodology

    chosen was the double case study (YIN, 2005), and literature review, interviews and participant

    observation. The investigation revealed that social networking sites (Vine and Instagram) are

    audiovisual media platforms, web based and allow interaction among registered members.

    These social actors identify themselves as consumers and at the same time as producers of new

    media, which information and inspiration come from sources beyond the traditional mainstream

    media.

    Keywords: Social Networks. Communication. Audiovisual.

  • LISTA DE ILUSTRAES

    Ilustrao 1 Vine vs Instagram ..................................................................................... 13

    Ilustrao 2 Diagrama da Rede Social .......................................................................... 24

    Ilustrao 3 6 TV De-coll/age, Wolf Vostell, 1963 ...................................................... 26

    Ilustrao 4 Instagram Candidato Obama ..................................................................... 32

    Ilustrao 5 Aplicativo Vine ......................................................................................... 33

    Ilustrao 6 Mecanismo gravao do Vine................................................................... 34

    Ilustrao 7 Mecanismo gravao do Instagram .......................................................... 34

    Ilustrao 8 Tela compartilhamento do Vine e do Instagram ....................................... 41

    Ilustrao 9 Tela de explorao do Vine e do Instagram ............................................. 42

    Ilustrao 10 Geolocalizador do Instagram .................................................................. 43

    Ilustrao 11 Cignoli gravando vdeo ............................................................................ 44

    Ilustrao 12 Cignoli pergunta: "Vine ou Instagram?" ................................................ 45

    Ilustrao 13 Comentrios seguidos de Cignoli ........................................................... 45

    Ilustrao 14 Ryle gravando vdeo ............................................................................... 46

  • LISTA DE GRFICOS

    Grfico 1 "No importa qual celular voc usa. Mas, sim qual o sistema dele." ............. 16

    Grfico 2 Visualizao vdeos BR vs EUA .................................................................... 17

    Grfico 3 Comparativo audincia vdeos pelo smartphone em 26 pases ...................... 18

    Grfico 4 Queda visualizao de vdeos China e EUA 2012/2013 ................................. 19

    Grfico 5 Atividades paralelas junto com smartphone ................................................... 21

    Grfico 6 Difuso de smartphones ................................................................................. 22

    Grfico 7 Uso Redes Sociais smartphone BR & EUA ................................................... 29

    Grfico 8 Aplicativos no smartphone ............................................................................. 30

    Grfico 9 Preferncia do usurio entre smartphone e outras mdias ............................... 37

    Grfico 10 Atividades no smartphone/semanal .............................................................. 38

    Grfico 11 Comparativo entre links Vine vs Instagram ................................................. 39

  • SUMRIO

    1. INTRODUO ....................................................................................................... 12

    1.1 De facilitador a faz tudo: o smartphone nosso de cada dia ................................. 14

    2. OBJETIVOS ............................................................................................................ 20

    2.1. Objetivo Geral .................................................................................................... 20

    2.2. Objetivos Especficos ........................................................................................ 21

    3. JUSTIFICATIVA .................................................................................................... 22

    4. REFERENCIAL TERICO .................................................................................. 24

    4.1. Redes Sociais na Internet ................................................................................... 24

    4.2. Aplicativo ........................................................................................................... 28

    4.3. Instagram ............................................................................................................ 30

    4.4. Vine .................................................................................................................... 33

    5. METODOLOGIA .................................................................................................... 36

    5.1. Estudo de Caso Comparativo sobre a micro comunicao audiovisual ............. 36

    5.2. A cultura da narrativa miditica digital como lcus investigativo ..................... 36

    5.3. Comparativo da Prtica Social Miditica (Vine vs Instagram) ......................... 39

    5.4. Diferenas entre Vine & Instagram .................................................................... 40

    6. CONSIDERAES FINAIS .................................................................................. 48

    6.1. Propriedade Intelectual ....................................................................................... 50

    REFERNCIAS ............................................................................................................ 53

    ANEXOS ........................................................................................................................ 56

    Anexo I Entrevista Meagan Cignoli ............................................................................. 56

    Anexo II Entrevista Rachel Ryle .................................................................................. 57

  • 12

    1. INTRODUO

    O conceito de "Indstria Cultural formulado na Dialtica do Esclarecimento:

    Fragmentos Filosficos, 1947 (Dialektik der Aufklrung Philosophische Fragmente) por

    Theodor W. Adorno e Max Horkheimer alerta sobre a dominao exercida pela mdia

    hegemnica, ou seja, da imposio de certos padres miditicos repetitivos, despertando nos

    agentes sociais as necessidades de consumo.

    O preo que os homens pagam pelo aumento de seu poder a alienao daquilo sobre

    o que exercem o poder. O esclarecimento comporta-se com as coisas como o ditador

    se comporta com os homens. Este conhece-os na medida em que pode manipul-los.

    O homem de cincia conhece as coisas na medida em que pode faz-las. assim que

    seu em-si torna para-ele. Nessa metamorfose, a essncia das coisas revela-se como

    sempre a mesma, como substrato da dominao. (ADORNO e HORKHEIMER, 1985,

    p.18).

    Porm, para Henry Jenkins (2008) h um novo processo de transformao da produo

    cultural, ou seja, o consumidor no apenas consome, mas tambm vislumbra a possibilidade de

    participar do processo de produo miditica, integrando uma "cultura participativa", que

    segundo Henry Jenkins (2008) a cultura em que fs e outros consumidores so convidados a

    participar ativamente da criao e da circulao de novos contedos (JENKINS, 2008, p. 333).

    O compartilhamento do cotidiano feito atravs da internet, faz com que o hbito de ler

    uma notcia num jornal impresso ao acordar de manh, por exemplo, se torne obsoleto. Os

    novos hbitos mostram que, entre as atividades dirias prioritrias, esto: checagem de e-mails

    pessoais e profissionais; acesso s redes sociais (Facebook, Twitter etc.) para se manter

    atualizado sobre as notcias do mundo, ou da prpria cidade; e alm disso, para obter

    informaes sobre a vida de pessoas prximas, ou no to prximas, como as celebridades. E

    da mesma maneira com que o agente social checa e acompanha o cotidiano das outras pessoas,

    ao mesmo tempo, tambm compartilha flashes (em forma de textos, fotos e vdeos) dos

    acontecimentos dirios da prpria vida. E numa cadeia contnua, o compartilhamento se

    processa ad infinitum, atravs dos inmeros agentes que utilizam o formato da micro

    comunicao para dar sequncia ao processo miditico atravs das redes sociais conectadas

    pela internet. Para Donaton (2007) esse processo pode identificar o papel ativo assumido pelo

    agente social.

    A chave para entender a mudana a transferncia de poder: de quem faz e distribui

    os produtos de entretenimento para quem os consome. Em outras palavras, o poder

    est migrando dos estdios de cinema, das redes de televiso, das gravadoras e das

  • 13

    agncias de propaganda para o sujeito no sof com o controle remoto, ou para a mulher

    que compra uma entrada de cinema no multiplex de seu bairro, ou para o adolescente

    que baixa msica na internet. O consumidor ganhou poder e liberdade (DONATON,

    2007 p. 25).

    O poder e a liberdade que chegaram com o avano tecnolgico passam pelas pequenas

    mdias e os aplicativos desenvolvidos especialmente para permitir que os usurios tenham

    acesso, via internet, s redes sociais, como Twitter, Facebook, YouTube, entre outras, tanto

    para receber como para enviar contedo. Em especial os smartphones1 so hoje, mais do que

    simples aparelhos de telefone celular, so dispositivos de alta tecnologia que permitem a

    execuo de uma infinidade de tarefas, entre elas tirar fotos, gravar vdeos e enviar o material

    para as redes sociais atravs da conexo pela internet.

    Diante deste novo cenrio de consumo da comunicao e cultura, este estudo

    investigativo busca registrar, descrever e analisar a nova forma de comunicao interpessoal

    audiovisual feita pelos agentes sociais, com o uso dos smartphones para gravar, editar e

    compartilhar vdeos de no mximo 15 segundos, atravs dos aplicativos Instagram do Facebook

    e Vine do Twitter, no ciberespao.

    Ilustrao 1: Vine vs Instagram (Imagem: Mashable.com)

    1 Segundo o Dicionrio de Referncias (2013, online) "smartphone um aparelho que combina um telefone celular

    (mvel) com um computador porttil, capaz de oferecer acesso internet, arquivamento de dados (udio e vdeo),

    capacidade para trocar e-mails entre outras funes. A palavra smartphone tem origem datada de 1995 e pode ser traduzida como telefone inteligente. Smart = inteligente + phone = telefone. (traduo da orientadora)

  • 14

    1.1 De facilitador a faz tudo: o smartphone nosso de cada dia

    No comeo dos anos 2000 deu-se incio a uma era que muitos acreditavam s acontecer

    em filmes de fico cientifica ou, quem sabe, daqui h algumas dezenas de anos: A nova era

    digital e, dentro dela, a era dos smartphones. O termo smartphone (telefone inteligente)

    designado para aparelhos que funcionam tanto como telefone quanto como computador. Esses

    aparelhos vieram com o propsito de facilitar a vida do ser ps-moderno que tem a inteno de

    aproveitar os espaos de tempo entre suas atividades para fazer algo til em relao ao seu

    trabalho, estudo ou entretenimento.

    Em 1992, ocorreu o primeiro ensaio sobre a nova era digital, quando a IBM lanou o

    Simon, aparelho que possua recursos como PDA (PersonalAssistantSistem) e fax, alm de j

    dispor de uma tela resistiva sensvel ao toque. Dez anos aps, a empresa Kyocera lanou o

    aparelho QCP 6035 que custava na poca cerca de R$ 3 mil no mercado nacional. O modelo

    mesclava as funes de celular com computador atravs do sistema operacional Palm OS e

    permitia a conexo com a internet porm o alto custo inviabilizou o consumo em massa.

    Em 2002, os consumidores brasileiros tiveram acesso aos aparelhos de telefonia mvel

    com tecnologia GSM (Global System for Mobile Communications) e tela colorida. O pioneiro

    no mercado brasileiro foi o Communicator 9210 da Nokia, custando em torno de R$ 3,5 mil.

    No mesmo ano tambm foi lanado o Treo 300 da Handspring, primeiro aparelho celular que

    dispunha de um teclado com layout QWERT, o modelo de teclado mais utilizado em

    computadores at os dias atuais. Em 2005, a operadora de telefonia mvel TIM lanou um plano

    de servios que custava cerca de R$ 400 por ms, e que permitia ao consumidor adquirir um

    aparelho Blackberry, podendo receber e enviar e-mails. Depois foi a vez da HP lanar o iPac

    Mobile Mensseger que tinha como o seu atrativo principal a conectividade com as redes GSM,

    GPRS (General Packet Radio Service), Wi-Fi, e EDGE (Enhanced Data rates for GSM

    Evolution).

    Em 2007, a Apple lanou o iPhone, um aparelho multitarefas com a capacidade de

    memria interna de 8 gigabyte. O iPhone possibilitava o usurio integrar as funes de celular

    (com acesso internet, busca online, Wi-Fi, emails, sistema operacional Mac OS X, adaptado

    para o dispositivo mvel e hoje conhecido como iOS, e tecnologias GSM e EDGE); do iPod

    (compartilhador de msicas/tocador digital da Apple); e cmera (2megapixels). Entre os

  • 15

    diferenciais estavam a durao da bateria (5h/conversao e 16h/reproduo musical) e uma

    tela de 3.5 polegadas sensvel ao toque dos dedos (Multitouch) equipada com teclado virtual e

    com sensor de movimento que permitia a visualizao das imagens em qualquer sentido

    (horizontal ou vertical). Segundo Steve Jobs, diretor da Apple na poca (morreu em 2011), o

    iPhone tornava realidade o sonho de transformar o dedo em caneta. "Vamos usar o melhor

    aparelho para selecionar itens. Nascemos com dez deles, os nossos dedos. A tela ignora toques

    acidentais e entende as ordens simultneas de diversos dedos." (JOBS apud GLOBO, 2007,

    online)

    O outro sistema operacional (aberto) o Android, desenvolvido pelo Google em 2007.

    Para a editora da CBS TV, Jssica Dolcourt (2013) os aparelhos com Android mais utilizados

    pelos usurios so: Motorola DroidMaxx; Samsung Galaxy Note 3; SamsungGalaxy S4;

    HTCOne; GoogleNexus 5; HTC One Mini. A plataforma Android a mais popular entre as

    empresas de tecnologia devido ao baixo custo, bem como porque personalizvel. Apesar de

    ter sido projetado especialmente para telefones celulares e tablets, este sistema operacional

    tambm tem sido utilizado em televisores, jogos, cmeras digitais e outros aparelhos

    eletrnicos.

    Em setembro de 2013, foi lanada a mais recente verso do iOS 7 da Apple. A capacidade

    de armazenamento em seus dispositivos mveis (iPhone, iPad e iPod) chega aos 64 gigabyte.

    Os novos dispositivos, lanados em paralelo ao novo sistema operacional, contam com leitura

    biomtrica, tecnologia que pretende revolucionar o uso do carto de crdito. Durante os ltimos

    anos a Apple aperfeioou o seu smartphone (iPhone) acrescentando outras funes para a

    interface com o usurio, entre elas, GPS; cmera de vdeo com resoluo de 1080p (alta

    definio), 8-MP; sensor iluminado na parte de trs do aparelho que captura imagens com pouca

    luz e flash que permanece ligado durante gravaes de vdeo; duas cmeras de vdeo (frente e

    verso); slowmotion (cmera lenta) (120 fps); identificador de rostos; fotos panormicas; fotos

    e vdeos ao mesmo tempo usando o boto do volume para iniciar a gravao, que conta com

    um giroscpio interno para estabilizar a imagem durante a captura; jogos eletrnicos; correio

    de voz visual e mais de um milho de aplicativos da Apple e de terceiros que podem ser

    baixados para ativar outros servios. (iPhone, Wikipedia, 2013, online).

    Com tantos recursos tcnicos e de ponta, um dos pontos mais criticados pelos usurios

    a falta de privacidade, que pode ajudar a localizar e at bloquear o aparelho no caso de perda

    ou roubo, mas tambm, permite que agncias de segurana internacionais tenham acesso aos

  • 16

    dados dos usurios (localizao geogrfica, notas, leituras, e-mails, mensagens etc.).

    Recentemente, a mdia mundial alertou sobre a invaso de dados no s de iPhones, mas

    tambm dos proprietrios de BlackBerrys e aparelhos com o sistema Android.

    Segundo dados da Gartner (2013) os smartphones com sistema Android so os mais

    vendidos nos Estados Unidos. Entre os aparelhos celulares, as marcas mais vendidas em 2012

    foram: 1 Samsung, 2 Nokia e 3 Apple. Entretanto, quando analisamos os nmeros das trocas

    de dados atravs da internet mvel, o sistema iOS da Apple vem em primeiro lugar. Para Tim

    Cook (2013), diretor da Apple, "o sucesso da empresa no medido pela venda unitria, porque

    a Apple nunca conseguiu ser lder atravs dessa mtrica, mas sim, atravs das estatsticas de

    utilizao do sistema iOS" (COOK apud GROBART, 2013, online), onde revela um grfico

    positivo.

    Grfico1: "No importa qual celular voc usa. Mas, sim qual o sistema dele." (Fonte: GARTNER, 2013)

    Com tantas funes e aplicaes, fica fcil para o usurio concentrar a maioria das

    atividades dirias para realizao atravs do dispositivo mvel, entre elas receber e enviar e-

    mails e mensagens, e principalmente, atualizar o perfil nas redes sociais. Mas, o que este estudo

    investigativo objetiva registrar e analisar o compartilhamento e visualizao de vdeos atravs

    dos smarthphones.

    Atravs da ferramenta Think Insights do Google, disponvel em

    http://thinkwithgoogle.com possvel elaborar grficos instantneos sobre hbitos dos usurios

  • 17

    de smartphones em 48 pases. O portal Our Mobile Planet (Nosso Planeta Mvel) oferece

    diversas possibilidades de pesquisa personalizadas, que podem ser baixadas gratuitamente,

    entre elas, uma comparao entre Brasil e Estados, por exemplo, sobre o nmero de usurios

    que utiliza o aparelho para ver vdeos. Em 2013, a mdia diria da visualizao de vdeos pelos

    brasileiros, atravs das telas dos aparelhos celulares, quatro por cento maior do que a dos

    americanos.

    Grfico 2: Visualizao vdeos BR vs EUA. (Fonte: Google, 2013)

    De acordo com o portal do Google (2013), dos 48 pases cadastrados, apenas 24

    disponibilizam informaes sobre visualizao de vdeos pelo celular. A base da pesquisa de

    mil entrevistados em cada pas, mas na Arbia Saudita, foram 500 pessoas entrevistadas. Os

    dados da pesquisa so de 2013. Para obter os resultados a seguir, foi introduzida a pergunta:

    "qual a porcentagem de usurios de smartphones que assiste vdeos diariamente?"

    Abaixo podemos analisar o grfico com o resultado total de visualizao de vdeos em 26

    pases, bem como uma lista com algumas porcentagens, do pas com maior, para o pas com

    menor nmero de usurios que assistem vdeos pelo smartphone.

    28%

    24%

    Brasil Eua

    Diariamente

  • 18

    Arbia Saudita 64.1 %

    Emirados rabes 55.3 %

    Tailndia 53.3 %

    Vietn 49.2 %

    Mxico 48.3 %

    Turquia 45.8 %

    ndia 44 %

    Coria 43 %

    Brasil 28 %

    Estados Unidos 24 %

    Grfico 3: Comparativo audincia vdeos pelo smartphone em 26 pases (Fonte: Google, 2013)

    Assistir vdeos apenas uma das atividades desenvolvidas pelos usurios de smartphones,

    pois a maioria dos usurios utiliza a conexo com a internet atravs do aparelho para acessar a

    rede social e atualizar a mensagem de status, bem como verificar mensagens ou e-mails

    (Google, 2013).

    14%11%

    64%

    29%

    19%14%14%

    28%

    18%24%

    43%

    19%

    55%

    25%24%

    39%

    10%13%

    28%36%

    16%18%

    44%48%

    14%

    49%

    fr

    ica

    do S

    ul

    Ale

    man

    ha

    ra

    bia

    Sau

    dit

    a

    Arg

    enti

    na

    Au

    str

    lia

    u

    stri

    a

    Bl

    gic

    a

    Bra

    sil

    Can

    ad

    Chin

    a

    Core

    ia

    Din

    amar

    ca

    Em

    irad

    os

    ra

    bes

    Esp

    anha

    Est

    ados

    Unid

    os

    Fil

    ipin

    as

    Fin

    lndia

    Fra

    na

    Gr

    cia

    Hong K

    ong

    Hungri

    a

    Japo

    ndia

    Mx

    ico

    Rei

    no U

    nid

    o

    Vie

    tn

    Frequncia de visualizao de vdeos pelo smartphone

    2013

  • 19

    Entretanto, de acordo com o estudo realizado pelo Google (2013) a China e os Estados

    Unidos apresentaram queda de 2012 para 2013; com relao ao fenmeno de assistir vdeo pelo

    smartphone, enquanto os dados coletados em outros pases revelam um crescimento contnuo

    conforme podemos observar no grfico a seguir.

    possvel observar nos dados demonstrados pela pesquisa Google (2012/2013) que a

    comunicao audiovisual, feita atravs de aplicativos disponibilizados aos dispositivos mveis,

    aumentou em 2013. Graas a esses aplicativos os agentes sociais tornam-se cada vez mais

    capazes e independentes para dar vida aos textos e fotografias, e assim compartilhar produtos

    audiovisuais artsticos, bem como narrativas do cotidiano atravs do ciberespao.

    11%

    20% 20%

    13%

    25%

    38%

    25%

    17%10%11%

    30% 28%

    18% 24%

    55%

    24%18%

    14%

    2012 2013

    Grfico 4: Queda Visualizao Vdeos China e EUA 2012/2013. (Fonte: Google, 2013)

  • 20

    2. OBJETIVOS

    A chegada de redes sociais exclusivas para dispositivo mvel, como o Instagram e o Vine,

    fez com que o usurio produzisse cada vez mais o seu prprio contedo. Esse contedo

    publicado atravs desses aplicativos, e muito interessante para as marcas a atrao de mais e

    mais usurios. Com a evoluo tecnolgica dos dispositivos e da velocidade da internet

    fornecida pelas operadores de celular alm do fcil acesso a redes Wi-Fi, os usurios esto cada

    vez mais visualizando vdeos em seus smartphones. Essa visualizao, feita por diversas

    plataformas, influencia tambm a produo de vdeos por parte do usurio, principalmente para

    compartilhar o cotidiano.

    2.1 Objetivo Geral

    Investigar os novos hbitos dos agentes sociais atravs da produo audiovisual que vem

    sendo compartilhada por usurios nos aplicativos Vine e Instagram. Perceber que um novo

    modelo participativo de comunicao est sendo produzido nas redes sociais se faz necessrio

    nesse momento pois trata-se de um tema novo no mbito da comunicao voltada para hbitos

    socais. Esses hbitos atuais mostram que embora os usurios faam outras atividades, ele

    sempre est ao alcance de seu dispositivo para registrar e compartilhar qualquer coisa que seja.

    muito comum, principalmente no Instagram, o usurio compartilhar qual livro est lendo no

    momento ou qual msica est ouvindo, comentar a participao de um artista num programa de

    TV ou o desempenho de um determinado ator de uma srie televisiva.

  • 21

    O dado acima refora a ideia de que cada vez mais o usurio quer compartilhar suas

    atividades em tempo real. Podemos ver que a maioria dos entrevistados ouve msica no mesmo

    momento em que utiliza o seu smartphone.

    2.2 Objetivos Especficos

    Definir a diferena de dois processos de comunicao que esto sendo feitos pelos

    usurios de redes sociais atravs dos aplicativos mveis Instagram e Vine. No ltimo ano, os

    usurios passaram a compartilhar seu cotidiano e criar contedo atravs de vdeos e essa

    pesquisa pretende facilitar a compreenso sobre o surgimento dessa nova forma de micro

    comunicao audiovisual.

    0%

    10%

    20%

    30%

    40%

    50%

    60%

    70%

    Alemanha Argentina Brasil Canad China Emirados

    rabes

    Estados

    Unidos

    Japo Reino

    Unido

    Ouve msica L um livro Assiste TV Joga videogame L jornal ou revista Assiste filmes

    Grfico 5: atividades paralelas junto com smartphone (Fonte: Google, 2013)

  • 22

    3. JUSTIFICATIVA

    Essas mudanas sociais e culturais criaram novas formas de pensar e agir, novos estilos

    de vida e, consequentemente, novas tcnicas de comunicao que buscam atingir um pblico

    cada vez mais complexo. Atualmente, o crescimento do uso de dispositivos mveis (celulares,

    smartphones, tablets) se torna cada vez mais evidente. Os usurios esto se tornando seres

    participativos, e as empresas esto em busca desse usurio para que ele produza o seu prprio

    contedo e compartilhe cada vez mais.

    No grfico abaixo (Base mil entrevistados, Google, 2013) podemos observar a

    penetrao de smartphones na populao da Alemanha, Argentina, Brasil, Canad, China,

    Emirados rabes Unidos, Estados Unidos da Amrica, Japo e Reino Unido nos anos de 2012

    e 2013.

    Grfico 6: Difuso de smartphones (Fonte: Google, 2013)

    No Brasil, a difuso de smartphones passou de 13,8% em 2012 para 26,3% em 2013.

    Assistimos a um processo de inovao tecnolgica veloz que impacta profundamente o campo

    da comunicao. A incluso digital e a facilidade do acesso banda larga no ltimos anos

    influenciam o compartilhamento de informao. Os novos espaos, proporcionados e

    potencializados pela internet, somados perda de fora dos meios convencionais de

    29%24%

    14%

    33% 33%

    61%

    44%

    20%

    51%

    40%

    31%26%

    56%

    47%

    74%

    56%

    25%

    62%

    Difuso de smartphones2012 2013

  • 23

    comunicao e mudana nos perfis e hbitos dos agentes sociais permite que cada vez mais

    novos contedos de informao sejam compartilhados atravs das redes sociais. Nos Estados

    Unidos, 57% dos entrevistados para a pesquisa do portal do Google (2013) disseram que

    utilizam a internet atravs do smartphone para no perder nenhuma informao quando estiver

    fora de casa. 73% dos usurios do mesmo pas disseram que o smartphone um bom

    passatempo em momentos de espera. No Brasil, 70% dos entrevistados utilizam a internet

    atravs do smartphone quando no tem outro dispositivo. Isso mostra que o uso da internet

    atravs do smartphone ainda est ligado a atividades de segundo plano. O agente social busca

    estar informado e conectado com o mundo durante todo o tempo, fazendo com que o

    smartphone passasse de instrumento de comunicao entre duas pessoas, para um meio de

    comunicao multi tarefas em tempo real.

  • 24

    4. REFERENCIAL TERICO

    4.1. Redes Sociais na Internet

    A popularizao do computador e do acesso internet na ltima dcada fez com que os

    ciclos sociais construdos ao longo da vida das pessoas tivessem a necessidade de ocupar o

    ciberespao. Esse novo meio de agregar e fortalecer laos sociais atravs do computador foi

    nomeado de Redes Sociais. A pesquisadora comunicacional Raquel Recuero (2009)

    baseando-se em Wasserman & Faust, 1994 e Degenne & Forse, 1999, conceitua que uma rede

    social definida como um conjunto de dois elementos: atores (pessoas, instituies ou grupos;

    os ns da rede) e suas conexes (interaes ou laos sociais)" (grifos do original) (RECUERO,

    2009, p.24).

    Ilustrao 2: Diagrama da Rede Social (Fonte: WikiMedia, 2009)

  • 25

    Assim como nos ciclos sociais offline, as redes sociais operam em diferentes tipos e

    convvios. O LinkedIn, por exemplo, uma rede social criada exclusivamente para fins

    profissionais. L os usurios podem ampliar o networking atravs das conexes, bem como

    pesquisar vagas de empregos, cursos, seminrios, entre outras ofertas apresentadas por outros

    usurios, e pelas instituies e grupos interligados pela rede. As redes sociais como o Orkut,

    Facebook e Twitter, por exemplo, so sites de relacionamento em geral. No entanto, existem

    aspectos que igualam as diversas redes sociais, como a troca e compartilhamento de

    informaes e interesses em busca de objetivos em comum dos usurios.

    A criao, publicao e compartilhamento de fotos e vdeos so os objetivos mtuos das

    redes sociais Vine e Instagram. Para serem agentes participativos destas redes, os usurios so

    obrigados a publicar contedos fotogrficos ou audiovisuais, com a opo do uso de um texto

    de apoio. O artigo 5, pargrafo VIII da lei brasileira de direitos autorais define o audiovisual

    como:

    Tudo que resulta da fixao de imagens com ou sem som, que tenha a finalidade de

    criar, por meio de sua reproduo, a impresso de movimento, independentemente

    dos processos de sua captao, do suporte usado inicial ou posteriormente para fix-

    lo, bem como dos meios utilizados para sua veiculao (Lei de Direitos Autorais -n

    9.610, 1998)

    So exemplos de tipos de produtos que se enquadram nessa definio: novelas, seriados,

    comerciais, transmisses de qualquer tipo de eventos, filmes, videogames, reportagens,

    videoclipes e curtas. Este ltimo o produto-chave utilizado na rede social Vine, e cada vez

    mais no Instagram.

    O uso do audiovisual como compartilhamento de cotidiano nestas duas redes faz com que

    os agentes sociais produzam seus contedos de diversas formas. notria a presena de estilos

    caractersticos de produo audiovisual no Vine e no Instagram. Enquanto alguns usurios

    compartilham a experincia audiovisual atravs de imagens diretas do prprio cotidiano, outros

    tornam essa experincia mais elaborada, transformando-se num vdeo artista dentro da rede

    social.

    Este fato nos leva a ponderar sobre uma possvel conexo com o que ocorreu no incio da

    era do cinema, ou seja, o desejo dos antigos cineastas era tambm, o de registrar em imagens

    com movimento, as cenas do cotidiano, como por exemplo, a chegada do trem na estao

    filmado pelos irmos franceses Auguste Lumire e Louis Lumire, e que se tornou o primeiro

  • 26

    filme (P&B) da histria do cinema, exibido em 1985, como A Chegada do Trem na Estao

    (L'arrive d'un Train La Ciotat).

    Michael Rush (2003, p.10) afirma que na primeira poca, era o tempo real que

    interessava aos artistas: vdeo, no-processado e no-editado, podia capturar o tempo como era

    experincia, logo aqui e agora, internamente ou externamente". Com o avano tecnolgico,

    ocorreu tambm o aperfeioamento da prtica social cinematogrfica. Em 1902, o diretor

    francs Georges Mlis foi o primeiro a utilizar efeitos especiais e tcnicas de edio no filme

    Viagem Lua (Le Voyage Dans La Lune).

    Nos anos 1960 artistas e cineastas apresentaram ao mundo a videoarte, a arte em vdeo,

    feita por artistas que procuravam quebrar paradigmas cinematogrficos. O barateamento da

    produo e a difuso do vdeo incentivaram prticas no comerciais do uso da mdia audiovisual

    por artistas do mundo todo. Um dos pioneiros da videoarte foi o artista alemo Wolf Vostell,

    ao lanar em 1963, o filme Sun In You Heade e a instalao artstica 6 TV De-coll/age.

    Ilustrao 3: 6TVDe-coll/age, Wolf Vostell, 1963 (Fonte: Museu Reina Sofia, Madrid, 1965)

  • 27

    Apesar da maioria dos vdeos compartilhados nas redes sociais Vine e Instagram

    seguirem uma linearidade, eles se adequam na categoria de videoarte por, em grande parte,

    utilizarem elementos minimalistas e ferramentas de baixo custo e exibio no centralizada.

    A preponderncia da ideia, a transitoriedade dos meios e a precariedade dos materiais

    utilizados, a atitude crtica frente s instituies, notadamente o museu, assim como

    formas alternativas de circulao das propostas artsticas, em especial durante a

    dcada de 1970, so algumas de suas estratgias [da arte conceitual]. (FREIRE, 2006,

    p.10)

    Contudo, o contedo da narrativa audiovisual produzida e compartilhada nestas redes

    sociais , na grande maioria, formado por storytelling, ou seja, o ato de contar (tell) histrias

    (story), que segundo Scartozzoni (2011) a forma mais antiga de entretenimento.

    Provavelmente na pr-histria, as pessoas se reuniam noite, antes de dormir, em volta da

    fogueira, para relatar os principais acontecimentos do dia.

    Storytelling pode ser definido de vrias maneiras, mas a que importa nesse caso que

    se trata de uma poderosa ferramenta para compartilhar conhecimento, utilizada pelo

    homem muito antes do que qualquer mdia social. Para ser mais exato, h algo em

    torno de 30 a 100 mil anos, quando acredita-se que o Homo Sapiens Sapiens

    desenvolveu a linguagem. (SCARTOZZONI, 2011, s/p.)

    O que muda com a evoluo tecnolgica que a contao de histrias feitas oralmente

    por nossos antepassados ganhou efeitos especiais com a chegada do digital, atravs da

    combinao de imagens com a trilha sonora, que inclui voz e msica. (BULL & KAJDER,

    2004). Atualmente, o digital storytelling ganhou popularidade graas ao uso dessa prtica pela

    comunicao publicitria. Como contar histrias parte importante da comunicao humana,

    os publicitrios perceberam que as empresas que comunicavam seus valores atravs de histrias

    verdadeiras, ganhavam a confiana dos consumidores, e tambm, dos funcionrios.

    Mas, no foi s o marketing que descobriu os poderes do digital storytelling. Nos Estados

    Unidos, mais precisamente na Califrnia, desde 1990, o fundador da Organizao No

    Governamental Center for Digital Storytelling (CDS), Joe Lambert, capacita estudantes e

    professores para a produo e compartilhamento de narrativas pessoais, e at, de narrativas de

    eventos histricos, atravs da combinao multimiditica de grficos, textos, vdeo, msica,

    udio etc. (MILLER, 2009).

    A oferta multimdia favoreceu a criao da transmedia storytelling, a contao de

    histrias em transmdia, em vrias plataformas de mdias. Como explica o professor Henry

    Jenkins (2009) uma histria transmdia representa a integrao da experincia do

    entretenimento atravs de diferentes plataformas miditicas. Uma srie como Heroes ou Lost

  • 28

    pode sair da TV para os quadrinhos, internet, jogos eletrnicos, bonecos etc., atraindo assim,

    novos consumidores medida em que vai se expandindo, e permitindo que os fs mais

    dedicados participem cada vez mais profundamente da narrativa. Pois, os fs podem traduzir os

    prprios interesses sobre a histria e os personagens, em entradas para Wikipdia, fan videos,

    cosplay e uma srie de outras prticas participativas que ampliam a histria para uma infinidade

    de novas direes. (JENKINS, 2009). Em muitos casos os agentes sociais tambm utilizam o

    digital storytelling para transitar entre diferentes redes sociais contando a mesma histria de

    diferentes formas (texto, foto, vdeo etc.).

    As redes sociais de compartilhamento de fotos e vdeos se tornaram muito populares

    nos ltimos trs anos. A maioria dos usurios de dispositivos mveis no dispensa o uso de um

    aplicativo para compartilhar o cotidiano, seja por foto ou vdeo. Esse compartilhamento, antes

    feito por texto atravs do Twitter ou do Facebook, se tornou complexo de acordo com o aumento

    da capacidade de transmisso de dados via internet, tanto para receber como para enviar, e de

    acordo com a reduo dos preos dos pacotes (dados e voz) oferecidos pelas operadoras de

    telecomunicaes no mercado brasileiro.

    4.2. Aplicativo

    Para a comunicao (atravs de texto, imagem, udio, vdeo) chegar ao usurio, e ser

    enviada pelo usurio do smartphone, ela precisa ser feita atravs de aplicativos. Para navegar

    pela internet (Safari, Internet Explorer, Google Chrome, Opera, Firefox etc.) o usurio precisa

    instalar o aplicativo do browser no smartphone. Os smartphones possuem um software prprio

    do sistema do aparelho que permite seu funcionamento, entre eles podemos citar: Windows

    Phone, da Microsoft; o iOS, da Apple; e o Android, do Google. Os aplicativos atuam dentro

    desses sistemas, atravs de programas de computao desenvolvidos especificamente para

    determinadas atividades. No caso do Vine, o aplicativo serve para captao, edio e

    compartilhamento de vdeos atravs do Twitter ou Facebook.

    Um mercado em crescente expanso o de desenvolvimento de aplicativos,

    principalmente por jovens universitrios que participam de concursos de

    microempreendedorssimo, feiras de tecnologia ou encontros de startups. As fabricantes de

  • 29

    smartphones estimulam o desenvolvimento de novos aplicativos de acordo com a demanda do

    mercado, principalmente entre os jovens usurios, e oferecem esses produtos (muitas vezes

    gratuitamente) em lojas virtuais, por exemplo: Windows Phone (Microsoft), App Store e Itunes

    (Apple), Google Play (Android/Google).

    Os aplicativos que permitem postar mensagens atravs das redes sociais (Facebook,

    Twitter, entre outras) esto entre os mais populares junto ao pblico.

    O grfico abaixo mostra o uso das redes sociais, atravs dos aplicativos, disponveis

    gratuitamente.

    Essa distribuio gratuita faz com que as grandes empresas possuam a maior fortuna da

    nova era digital: os dados. Assim como nos mecanismos de pesquisa, os dados pessoais

    fornecidos para participar das redes sociais tambm so valiosssimos. Uma empresa que possui

    mais de um bilho de registros com incontveis dados pessoais de cada usurio pode facilmente

    usa-los para o fim que desejar.

    Atualmente, cerca de 1 bilho de pessoas utilizam smartphones em todo mundo e,

    segundo um estudo elaborado pela empresa global de servios financeiros Morgan Stanley

    (2013), o nmero de usurios cresce numa taxa mundial de 42%. O grfico abaixo mostra em

    87% 89%

    22%

    28%

    6% 6%

    24%

    15%

    22%19%

    7%11%

    1%

    17%

    Brasil Estados Unidos

    Facebook Twitter Foursquare Google+ Instagram LinkedIn Pinterest

    Grfico 7: Uso Redes Sociais smartphone BR & EUA (Fonte: Google, 2013)

  • 30

    mdia quantos aplicativos os consumidores possuem em seu smartphone (Google, 2013, base

    mil usurios).

    4.3. Instagram

    Entre fevereiro e maro de 2010, o brasileiro Mike Krieger e o norte-americano Kevin

    Systrom criaram um aplicativo onde o usurio poderia compartilhar fotos e mensagens de status

    (check in), alm de uma agenda. O aplicativo nomeado de Burbn era um piloto do que mais

    tarde se tornaria um dos aplicativos mais famosos do mundo da informtica, o Instagram. Na

    poca, o Burbn possua pouca usabilidade, ou seja, precisava ser simplificado para ser usado

    por um nmero maior de agentes sociais.

    Entretanto, como as cmeras de celular, em geral, possuam baixa qualidade para

    captura das imagens, houve grande interesse na melhora da usabilidade do aplicativo. Assim,

    em outubro do mesmo ano, o aplicativo Burbn se transformou no Instagram, possibilitando ao

    usurio capturar e editar imagens atravs do smartphone de forma fcil e rpida, alm de

    permitir a insero de filtros que modificavam a cor e textura das imagens. Essas imagens

    poderiam ento, ser compartilhadas na linha do tempo do perfil do usurio (que para usar o

    28

    17 17

    30

    2623

    33 32

    36

    29

    Grfico 8: Aplicativos no smartphone (Fonte: Google, 2013)

  • 31

    servio obrigado a se cadastrar na rede social), e consequentemente, permitir o

    compartilhamento entre o seu ciclo social (amigos, familiares) atravs das outras redes sociais,

    como Facebook e Twitter.

    O aplicativo Instagram foi liberado apenas para usurios do sistema iOS. Em pouco

    mais de trs meses do lanamento, o Instagram atingiu a marca de um milho de usurios. Um

    ano depois o Instagram foi eleito o app do ano pela Apple Store, com cerca de 15 milhes de

    usurios cadastrados (Huffington Post, 2011). Nesse mesmo perodo, a equipe desenvolvedora

    do aplicativo, formada por quatro pessoas, anunciou que estava trabalhando numa verso para

    o sistema Android. Em 2012, a assessoria de comunicao do ento candidato presidncia dos

    Estados Unidos, Barack Obama, divulgou a criao de uma conta no Instagram como parte da

    campanha eleitoral.

    Estamos felizes de dar as boas-vindas ao presidente Barack Obama ao Instagram!

    Estamos ansiosos para ver como o presidente Obama usar o Instagram para dar aos

    seguidores um aspecto visual do que acontece no dia-a-dia de um presidente dos Estados

    Unidos. (SYSTROM, 2012, online).

    O servio se tornou ainda mais popular dentro do meio artstico e jornalstico pois, para

    acompanhar os bastidores da campanha eleitoral do atual presidente dos Estados Unidos era

    necessrio estar cadastrado na rede social.

  • 32

    Em abril de 2012, foi lanada a verso do aplicativo Instagram para o sistema operacional

    Android. Ao atingir a marca de trinta milhes de usurios, o aplicativo foi vendido para o

    Facebook por cerca de R$ 2.5 bilhes.

    Estou animado em compartilhar a notcia de que concordamos em adquirir o Instagram e

    que a sua talentosa equipe vai se juntar ao Facebook. Por anos, temos focado na

    construo de uma melhor experincia para compartilhar fotos com seus amigos e

    familiares. Agora, seremos capazes de trabalhar ainda mais estreitamente com a equipe

    do Instagram para tambm oferecer as melhores experincias para compartilhar fotos de

    celulares com pessoas do seu interesse. (ZUCKERBERG, 2012).

    Em Junho de 2013 o Instagram adicionou a possibilidade de gravao, edio e

    compartilhamento de vdeos a sua plataforma, devido ao grande sucesso que o Vine vinha

    fazendo desde o seu lanamento, no incio do ano. No entanto, a corrida para distribuio da

    micro comunicao audiovisual est s comeando. Alm do Vine/Twitter e do

    Instagram/Facebook que analisamos neste estudo investigativo, podemos acrescentar Viddy,

    que permite o compartilhamento de vdeos at 15 segundos e Cinemagram que permite a

    animao de pequenas partes de um vdeo clipe e o 8mm.

    Ilustrao 4: Instagram Candidato Obama (Fonte: Instagram, 2013)

  • 33

    4.4. Vine

    A rede social Twitter foi desenvolvida para permitir aos usurios o compartilhamento

    de mensagens com at 140 caracteres. Com o lanamento do aplicativo Vine, os usurios podem

    escolher entre os 140 caracteres e seis segundos de vdeo, ou ambos. Os vdeos parecem

    imagens GIF2, mas com udio. Para o criador do Twitter, Jack Dorsey, "o Vine prope uma

    nova maneira de comunicar arte para o mundo" (DORSEY apud BOSKER, 2013, s/p.).

    2Sigla para Graphics Interchange Format. Segundo o dicionrio de referncias (2013, online) Um conjunto de normas em formato de arquivo para armazenamento de imagens digitais a cores e animaes curtas. (Traduo da autora)

    Ilustrao 5: Aplicativo Vine (Fonte: Vine, 2013)

  • 34

    A boa usabilidade do aplicativo tornou-o rapidamente popular entre os usurios.

    Entretanto, diferente do Instagram, o usurio do Vine no tem acesso a esta rede social por

    completo atravs do computador, ou seja, o aplicativo opera apenas atravs do smartphone.

    Para poder assistir o vdeo que ele produziu no Vine, na tela de um computador, o usurio

    obrigado a export-lo para uma rede social (Twitter ou Facebook) onde um link gerado, e

    possibilita o compartilhamento em outros sites.

    Ilustrao 7: Mecanismo de gravao do Instagram (Foto: Juliana Dantas, 2013)

    Ilustrao 6: Mecanismo de gravao do Vine (Foto: Juliana Dantas, 2013)

  • 35

    O usurio do Vine no tem o boto on/off para iniciar/parar a gravao do vdeo, para

    proceder a esta operao o usurio deve tocar o dedo na tela do smartphone, para iniciar a

    gravao, que ir parar assim que o dedo for retirado. O mecanismo de gravao ocorre da

    mesma forma no Instagram, mas l o usurio precisa pressionar um boto. Assim que o vdeo

    enviado para a rede Vine, ele se mantm automaticamente rodando, de forma contnua, em

    loop. Essa dinmica de gravao possibilita o desenvolvimento de micro produtos miditicos

    audiovisuais em stop motion com maior facilidade. Fato que tornou o aplicativo bastante

    popular no ciberespao, em virtude da criatividade de alguns usurios ao produzirem vdeos

    bem humorados e interessantes. O Vine foi lanado gradativamente para o sistema operacional

    Android e Windows Phone, aumentando ainda mais a popularidade na rede.

  • 36

    5. METODOLOGIA

    5.1. Estudo de Caso Comparativo sobre a micro comunicao audiovisual

    O objetivo deste estudo registrar, descrever e analisar aspectos da micro produo

    audiovisual atravs dos aplicativos Vine e Instagram. No mercado mundial, h menos de um

    ano, estes aplicativos conquistaram milhes de fs. A comprovao pode ser feita na rede social

    Facebook, onde esto as pginas Best Vines, com 18 milhes de curtidas e a pgina oficial do

    Instagram com 7 milhes de curtidas.

    O mtodo do estudo de caso comparativo foi escolhido por ser o mais apropriado

    caminho para responder as questes desta pesquisa. A tcnica permite ao pesquisador atuar, ao

    mesmo tempo, tanto como observador como investigador.

    [...] o estudo de caso o mtodo que contribui para a compreenso dos fenmenos

    sociais complexos, sejam individuais, organizacionais, sociais ou polticos. o estudo

    das peculiaridades, das diferenas daquilo que o torna nico e por essa mesma razo,

    o distingue ou o aproxima dos demais fenmenos. (DUARTE, 2010)

    Segundo Robert Yin (2005) um estudo de caso uma pesquisa emprica que investiga

    um fenmeno contemporneo dentro de um contexto da vida real, especialmente quando as

    fronteiras entre o fenmeno e o contexto no esto claramente definidas. A investigao do

    estudo de caso comparativo permite que o investigador trabalhe de forma distinta, dentro do

    espao investigativo no qual as muitas variveis que podem encontradas, formam um campo de

    dados indito, em virtude dos poucos estudos sobre o tema. Yin (2005) esclarece que o estudo

    de caso comparativo beneficia o investigador ao permitir o desenvolvimento da pesquisa a partir

    das proposies tericas que orientam a busca de dados, bem como referendam os achados. E

    finalmente, Yin (2005) explica que o estudo de caso comparativo permite ao investigador

    buscar mltiplas fontes de evidncias, no caso deste estudo duas (Vine & Instagram), e fazer a

    triangulao dos dados de forma convergente.

    O estudo de caso conta com muitas das tcnicas utilizadas pelas pesquisas histricas,

    mas acrescenta duas fontes de evidncias que usualmente no so includas no

    repertrio de um historiador: observao direta dos acontecimentos que esto sendo

    estudados e entrevistas das pessoas neles envolvidas. (YIN, 2005, p.27)

  • 37

    5.2. A cultura da narrativa miditica digital como lcus investigativo

    A internet possibilitou novas formas de interao entre as pessoas graas aos

    dispositivos sociais miditicos disponibilizados, como blogs, podcasts, videocasts, entre outros.

    As salas de bate-papos e frum de grupos especializados disputaram a ateno do pblico e

    conquistaram a audincia no incio dos anos 2000. Mais tarde, a criao de blogs de qualquer

    temtica, inclusive blogs pessoais, se tornou uma prtica muito popular entre os conectados.

    Era como escrever num dirio que todo mundo poderia ler, e essa prtica demonstrava que os

    usurios tinham interesse em compartilhar narrativas do prprio cotidiano.

    O grfico acima mostra tanto a relao do consumidor com seu smartphone quanto

    relevncia do dispositivos com relao a outros meios de comunicao. Estamos transitando

    numa nova era digital que faz com que os hbitos interativos e comunicacionais se moldem

    mais uma vez. Com a recm chegada dos culos inteligentes do Google (Google Glass) e

    popularizao dos relgios inteligentes da Sansung (Galaxy Gear), muitos afirmam que a era

    dos smartphones est chegando ao fim. Assim como muitos afirmaram o fim da era do rdio,

    televiso e jornal impresso. "Primeiro eles ocupavam grandes salas, depois nossas mesas,

    depois nosso colo e, agora, esto na palma de nossa mo. A seguir, estaro em nosso rosto.

    28% 30% 30%35%

    100%

    41%36% 39%

    23%18% 22% 19%22% 25% 25%

    17% 23%

    67% 68%73%

    79%73%

    83%79% 81%

    48%53% 53% 53% 54%

    69%

    50%61%

    No lugar da TV No lugar do PC Smartphone p/tudo Smartphone essencial

    Grfico 9: Preferncia do usurio entre smartphone e outras mdias (Fonte: Google, 2013)

  • 38

    Eventualmente, estaro em nosso crebro!"(CARLSON, 2012). Na verdade as relaes com os

    meios no so simplesmente esquecidas ou finalizadas, elas so adaptadas.

    Dentro de um mesmo meio, no caso o dispositivo mvel, possvel passar uma

    mensagem de diferentes formas, como uma ligao, mensagem de texto, e-mail ou uso das

    redes sociais. A utilizao das redes sociais, no entanto, esto se tornando a forma mais popular

    da transmisso dessa mensagem. Ao menos 50% dos consumidores de smartphones dos Estados

    Unidos acessaram uma rede social atravs do seu dispositivo na ltima semana. Mais de 30%

    dos usurios brasileiros tirou uma foto ou fez um vdeo atravs do smartphone e quase 40% dos

    canadenses assistiram um vdeo atravs de um aplicativo (Google, 2013).

    Isso demonstra que o agente social est se tornando cada vez mais um ser participativo

    nesse processo de produo de mensagens atravs de modos de produo para compartilhar o

    cotidiano. No se consome apenas contedo de grandes corporaes miditicas, perceptvel

    uma mudana no centro gravitacional cultural. Cada vez mais o contedo daquele que est

    prximo do consumidor assistido e estimulado e, por isso, novos processos de produo so

    criados e uma anlise desses processos se faz necessria.

    50%

    43%

    27%

    58%

    42%39%

    60%51% 52%

    42%

    59%

    36%

    57%

    47% 47%

    58%

    40%

    53%

    24%

    37%

    24%

    38%44% 44%

    38%

    26% 28%

    41%47%

    36%

    61%

    51% 51%

    59%

    41%

    61%

    Aplicativo Rede Social Ver Vdeos Tirou Foto

    Grfico 10: Atividades no smartphone/semanal (Fonte: Google, 2013)

  • 39

    5.3. Comparativo da Prtica Social Miditica (Vine vs Instagram)

    Seis meses aps o lanamento do Vine, o Instagram lanou uma atualizao permitindo

    o compartilhamento de vdeos atravs de sua plataforma. Esse fato torna perceptvel que cada

    vez mais as redes sociais influenciam os agentes a criarem contedo audiovisual. O grfico

    abaixo revela a corrida, entre maio e junho de 2013, entre as duas redes sociais, quanto ao

    compartilhamento de vdeos atravs de links.

    Tanto o Instagram/Facebook quanto o Vine/Twitter seguem prosperando no mercado

    brasileiro. O Instagram, por possuir 150 milhes de usurios (GLOBO, G1, 2013), est em fase

    de massificao, isto , alcanando maioria dos usurios de dispositivos mveis sem restries

    - no importando idade ou classe social. O Vine, embora possua apenas 40 milhes de usurios

    (OLHAR DIGITAL, 2013), se destaca em todo o ciberespao, e no apenas dentro dos

    dispositivos mveis. Como exemplo, podemos citar a pgina do Facebook Best Vines, criada

    para a divulgao de vdeos criativos e engraados que conta com cerca de 18 milhes de

    curtidas (FACEBOOK, 2013), e foi a pgina que cresceu de forma mais rpida na histria do

    Facebook. Podemos acompanhar o salto no compartilhamento de Vines aps a criao da

    pgina no grfico anterior.

    A pgina tem crescido, em mdia, a uma taxa de 110 mil 'curtidas' por dia, ou seja,

    quatro vezes mais do que qualquer outra pgina no Facebook j registrou. Por semana,

    a Best Vines totaliza, em mdia, 693 mil novos 'likes' (CANALTECH, 2013, online).

    Grfico 11: Comparativo entre links Vine vs Instagram (Fonte: Ag.RS, 2013)

  • 40

    Embora a prtica criativa dentro das duas plataformas tenham suas diferenas, o que

    distingue de fato uma rede social da outra so os hbitos de seus usurios. A maioria dos

    usurios do Instagram usam da narrativa do storytelling, diferente da maioria dos usurios do

    Vine que aproveitam dos desafios do aplicativo para descontruir essa narrativa. Jordan Cook,

    colunista do site americano Tech Crunch, fala a respeito da diferena da linguagem audiovisual

    produzida por agente sociais do Instagram e Vine Agora, as pessoas vo apenas postar vdeos

    de seus ps, cafs e animais de estimao. Ao mesmo tempo, a comunidade crescente de

    criativos e designers do Vine provavelmente ir continuar a florescer, tambm. (COOK apud

    TECH CRUNCH, 2013).

    5.4. Diferenas entre Vine e Instagram

    Quanto a durao, um vdeo do Vine pode durar precisamente 6,5 segundos. Segundo o

    Twitter (2013), esse o tempo ideal para que o usurio passe sua mensagem de forma sucinta,

    assim como os 140 caracteres disponveis na rede social escrita. Ainda segundo o Twitter

    (2009) privar o nmero de caracteres (e no caso do Vine, o tempo) fora o agente social a

    pensar fora da caixa e produzir contedo de forma mais direcionada.

    No Instagram, o usurio transita confortavelmente pois tem a possibilidade de produzir

    vdeo com at 15 segundos. Por outro lado, esse tempo se torna longo ao receptor da mensagem,

    uma vez que a rapidez da troca de informao da nova era digital pede mais agilidade nesse

    sentindo, principalmente se tratando da narrativa que predomina no Instagram, a fotografia.

    Falando da edio, ambas as plataformas permitem gravar diversos clipes e agrup-los

    ou descart-los no mesmo vdeo. O Vine permite at que o usurio mude a narrativa do vdeo

    antes de post-lo, podendo trocar os clipes de posio, diferente do Instagram onde os clipes

    devem seguir uma ordem linear dentro do vdeo. O Instagram, porm, ganha em permitir a

    importao de um vdeo do arquivo de cmera (material gravado na memria do smartphone),

    enquanto o Vine obriga o usurio a produzir inteiramente atravs de sua plataforma. O

    Instagram tambm conta com recursos de filtro e estabilizao de imagem. O Vine, por sua vez,

    bsico nesse sentido. Porm, o recurso cinema (permite a estabilizao da imagem) que

    ativado automaticamente na plataforma do Instagram, proporcionando uma queda na qualidade

    do vdeo e o usurio no tem a opo de no us-lo.

    Ambas as plataformas permitem a troca de cmera (traseira/frontal) durante a gravao

    do projeto e os vdeos publicados nas duas redes sociais so salvos automaticamente no arquivo

    da cmera do smartphone. Um ponto positivo para o Vine a possibilidade de finalizar um

  • 41

    projeto e, ao voltar para criar um novo, poder reutilizar os clipes utilizados em projetos

    anteriores, pois os mesmos ficam salvos. No Instagram o usurio no tem esse recurso, mas se

    quiser pode continuar um projeto do ponto em que havia parado.

    Os recursos de edio em ambos os aplicativos so aperfeioados atravs das

    atualizaes. Antes, o Vine no permitia o uso da cmera frontal, nem o corte de clipes. Isso

    tornava a usabilidade mais complexa, pois um usurio que fizesse um movimento errado num

    stop motion, por exemplo, era obrigado a comear o vdeo novamente. O Instagram, por sua

    vez, no dava acesso ao usurio para importar um vdeo do arquivo da cmera. Esses recursos

    esto sendo lanados gradativamente, com o objetivo de estimular a produo de contedo

    audiovisual. O Instagram constantemente lana novos filtros para que o usurio realize

    experimentaes e o Vine est cada vez mais aprimorando as ferramentas de sua plataforma

    para possibilitar que os usurios aperfeioem a tcnica e criem cada vez mais vdeos melhores.

    Ambos os aplicativos permitem o compartilhamento da produo audiovisual em outras

    redes sociais. O Instagram permite que o usurio compartilhe o vdeo tanto por e-mail quanto

    pelas redes sociais Twitter, Facebook, Tumblr, Mixi (japonesa) e Weibo (chinesa). Para ativar

    o compartilhamento em uma das duas redes sociais asiticas, o usurio deve mudar a

    localizao nas configuraes do smartphone para China ou Japo. O servio de fotos, permite

    ao usurio compartilhar tambm no Foursquare (geolocalizao) e no Flickr (site de fotos e

    vdeos).

    Ilustrao 8: Tela Compartilhamento Vine (esq) e Instagram (dir) (Fonte: V&I, 2013)

  • 42

    O Vine permite que o usurio compartilhe os vdeos apenas no Facebook e no Twitter,

    sendo que no Twitter, o vdeo fica exposto na linha do tempo do usurio, diferente do Instagram

    onde o vdeo exportado atravs de um link. O Vine dispe ainda do recurso canais, que

    permite ao usurio classificar os prprios vdeos em um dos canais disponveis: ("Comedy,

    Art& Experimental, Scary, Cats, Dogs, Family, Beauty& Fashion, Food, Health & Fitness,

    Nature, News & Politics, Special FX, Sports, UrbaneWeird"), facilitando a localizao do vdeo

    por outros usurios. O usurio tambm pode usar etiquetas/categorias (tags) para identificar as

    palavras-chave dos vdeos, em ambas as redes sociais, porm somente no Vine existe um

    sistema de avaliao (ranking) das tags mais utilizadas. Funciona como o TrendingTopics do

    Twitter.

    Ilustrao 9: Tela Explorao Vine (esq) e Instagram (dir) (Fonte: V&I, 2013)

    O Instagram ainda no tem esse recurso mas o usurio pode acompanhar, atravs de um

    mural, as indicaes dos vdeos, fotos e tags mais acessados. As duas plataformas permitem a

    marcao de outros usurios na postagem e de um servio de geolocalizao (suportados pelo

    Foursquare), porm somente o Instagram dispe de um mapa navegvel.

  • 43

    No computador, o Instagram oferece uma plataforma onde o usurio pode acessar a

    prpria conta, curtir e comentar como se estivesse no smartphone. Embora o Vine permita a

    exibio do vdeo na tela do computador (atravs do link gerado pelo Twitter ou Facebook) o

    usurio no dispe de uma plataforma para interagir.

    Alm disso, algumas diferenas so encontradas ao acessar as redes pelo computador,

    ou seja, no Vine o usurio pode silenciar o vdeo, opo que no existe no Instagram. Existem

    tambm sites como: Seenive, Vinescope, Statigr.am e o Web.stagram que incorporam os perfis

    dos usurios do Vine e do Instagram e transmite a produo audiovisual e fotogrfica atravs

    do ciberspao.

    Com referncia a exibio dos vdeos, o Vine se destaca em dois pontos: primeiro, os

    vdeos da rede de contatos do usurio comeam automaticamente na linha do tempo, sem a

    necessidade de um toque para inici-lo (o toque necessrio caso o usurio queria pausar o

    vdeo). O outro destaque na forma de exibio do Vine, em que o vdeo fica rodando sem

    parar (looping). O fato de um vdeo no Vine comear automaticamente e se repetir ad infinitum,

    faz com que o vdeo tenha uma caracterstica de GIF animado (Graphics Interchange Format -

    GIF). No Instagram disponibiliza um boto tocar (play) no canto superior e o usurio tem que

    tocar a tela para iniciar o vdeo. Aps o vdeo iniciado, necessrio um segundo toque para

    ativar o som do vdeo, que comea silenciado automaticamente. E no Instagram os vdeos

    Ilustrao 10: Geolocalizador do Instagram (Fonte: Instagram, 2013)

  • 44

    possuem uma linearidade de incio-meio-fim na exibio, fortalecendo a narratividade proposta

    pela prtica storytelling.

    Na relao formato x contedo, a batalha (Vine x Instagram) acaba no empate. Tudo

    isso porque o recurso de gravar um vdeo de 6 segundos e depois loop-lo

    infinitamente permite que o espectador aproveite o vdeo ao mximo, diferente do

    Instagram, onde a experincia no formato comeo-meio-fim.

    Por outro lado, o Instagram permite uma captao mais livre e completa da imagem.

    Nesse sentido, o recurso de vdeo do Instagram pode ser melhor pra gravar uma cena

    que est acontecendo em tempo real como, por exemplo, uma cena emblemtica de

    um protesto.

    Como o Vine s tem 6 segundos, voc precisa acertar exatamente o momento que vai

    dizer tudo o que voc quer dizer. Voc praticamente precisa fazer um mini-roteiro

    antes de gravar.

    O ator e videomaker, Adam Goldberg, um dos caras que mais fazem sucesso no Vine,

    pensa mais ou menos assim. Ele no considera um servio melhor que o outro, dizendo

    que eles so diferentes como mas e laranjas. Mas, para Adam, a esttica do Vine impossvel de se conseguir no Instagram.

    Apenas o Vine deixa voc criar estranhas cenas onricas no estilo David Lynch". (BAREM apud YOUPIX, 2013).

    A fotgrafa americana Meagan Cignoli faz muito sucesso nas duas redes sociais.

    Atualmente, possui 396 mil seguidores no Vine (Vine, 2013) e 47 mil seguidores no Instagram

    (Instagram, 2013).

    Em junho deste ano, a pedido do site americano Tech Crunch (2013), Meagan produziu

    o mesmo vdeo (em stop motion, sua especialidade) nas duas plataformas, Vine e Instagram.

    Ilustrao 11: Cignoli gravando vdeo (Fonte: Instagram, 2013)

  • 45

    Depois de pronto e disponibilizado pelas redes sociais, Cignoli perguntou aos

    seguidores do seu perfil nas duas redes: Eu gravei o mesmo vdeo duas vezes, uma no Vine e

    outra no Instagram. Qual dos dois vocs mais gostaram? (Traduo da autora).

    Ambas postagens de Meagan Cignoli contabilizaram cerca de trs mil comentrios e a

    maioria preferiu o vdeo do Vine, como, por exemplo, o usurio @clingclong que afirmou: No

    Vine melhor principalmente por causa do looping. (Instagram, 2013) (Traduo da autora).

    Outros usurios definiram os vdeos do Vine como sendo mais suave do que o vdeo do

    Instagram, que teria ficado mais grosseiro.

    Ilustrao 7: Cignoli pergunta: "Vine ou Instagram?" (Fonte: V&I, 2013)

    Ilustrao 8: Comentrios dos seguidores de Cignoli (Fonte: V&I, 2013)

  • 46

    De acordo com Meagan Signoli (2013) a videoarte fica melhor no Vine e a narrao de

    histrias do cotidiano mais fcil no Instagram. O Instagram cria um efeito de sonho, que

    lindo. O Vine para rapidez, timo para stop motion. As cmeras so muito diferentes.

    (Traduo da autora)

    Existem, nas duas redes sociais, videoartistas e usurios interessados apenas em

    compartilhamento de cotidiano atravs do digital storytelling. Um exemplo a ilustradora

    americana Rachel Ryle, usuria (apenas) do Instagram com 192 mil seguidores

    Ryle (2013) acha a produo dos videoartistas do Vine bastante criativa e divertida, mas

    prefere trabalhar com o Instagram. Recentemente o perfil de Ryle, no Instagram, ficou em

    primeiro lugar num levantamento feito pelo site americano BuzzFeed como o perfil mais

    criativo do Instagram em 2013 (BuzzFeed, 2013).

    Para produzir os vdeos pelo Instagram, Ryle utiliza clipes pr-gravados, importados do

    arquivo da cmera do smartphone, e da captura de clipes dentro do prprio aplicativo. A

    ilustradora famosa pelas animaes em geral, inspiradas em cenas do cotidiano. Ryle (2013)

    Ilustrao 9: Ryle gravando vdeo (Fonte: Instagram, 2013)

  • 47

    explica que olho para os itens de uso dirio e imediatamente comeo a me perguntar como

    poderia faz-los criar vida atravs da animao. Assim crio meu conceito, e comeo o processo

    de animao. (Traduo da autora)

    No Vine existem tambm diversos exemplos de perfis que objetivam o compartilhamento

    do cotidiano. O perfil da socialite americana Paris Hilton e do cantor britnico Paul McCartney

    so exemplos.

  • 48

    6. CONSIDERAES FINAIS

    Este estudo investigativo baseou-se na metodologia do estudo de caso duplo (YIN,

    2005), aliando-se as tcnicas de entrevistas e observao participante. Analisamos os sites de

    redes sociais (Vine e Instagram) que so plataformas de comunicao audiovisual baseadas na

    web e que permitem relevante interao entre os integrantes, devidamente cadastrados. Estes

    agentes sociais se reconhecem como consumidores e ao mesmo tempo, se identificam como

    produtores de uma nova mdia, cuja informao e inspirao surgem de fontes muito alm da

    mdia hegemnica tradicional.

    Escolhemos dois perfis para compor o recorte emprico deste estudo, a saber: a artista

    de animao audiovisual (stop motion), Meagan Cignoli, um dos perfis mais famosos do Vine,

    premiada em Cannes com o Leo Ciberntico com a campanha Fix in Six desenvolvida no

    Vine para marca Lowers, alm de ser autora de diversos filmes nos sites do Mashable e Tech

    Crunch. A outra entrevistada a ilustradora e tambm especialista em animao audiovisual

    (stop motion), Rachel Ryle, que ganhou o ttulo de perfil mais criativo do Instagram em 2013.

    Em suas respostas (Anexos I e II) Cignoli (2013) e Ryle (2013) deixam claro que os

    dois aplicativos podem e devem coexistir no ciberespao, pois tanto o Vine como o Instagram

    criam produtos audiovisuais similares, mas de maneira diferente. Enquanto Cignoli (2013,

    online) sugere que "o Vine fantstico para comdia, stop motion, para marcas e comunicao

    publicitria". Ryle (2013, online) comenta que "os vdeos do Instagram so etreos e funcionam

    perfeitamente dentro de uma esttica dos movimentos mais lentos, das cenas mais bonitas,

    inclusive com filtros e superexposio".

    Em sua pgina pessoal na internet "onceinaryle" (Era uma vez em Ryle, 2013) a artista

    afirma que "verdade seja dita, sou uma tima contadora de histrias, mas uma pssima escritora.

    Espero que meus escritos melhorem medida em que vou compartilhando com vocs histrias

    engraadas que acontecem em minha vida. E se isso falhar, ento talvez eu transforme tudo em

    um vdeo".

    Nosso estudo investigativo ressalta que a pode estar um desencadeador cultural que nos

    fora a produzir memrias videogrficas, ou seja, precisamos do arquivo digitalizado

    audiovisual porque gostamos de contar histrias, mas no gostamos de escrev-las.

    Desde a pr-histria a comunicao oral sempre esteve presente, mas precisamos do

    registro para comunicar a cultura, para preservar o patrimnio cultural imaterial; e o

    desenvolvimento das ferramentas tcnicas e dos programas de computao que possibilitam o

  • 49

    arquivamento digital do udio (voz e msica) e do vdeo (foto, imagem em movimento e texto

    impresso) e, principalmente, permitem a disponibilizao de todo esse material, por meio da

    cultura participativa das redes sociais possibilitas pelo advento da internet, como bem conceitua

    Recuero (2009, p.24) a rede social formada pelos atores (pessoas, instituies ou grupos) e

    suas conexes."

    Essa capacidade de preservar a cultura, como se atravs dela prolongssemos nossos

    dias num mundo cada vez mais fadado destruio, faz com que cada vez mais o ser humano

    busque a evoluo da tcnica como uma forma de transformao.

    Os novos meios e tecnologias pelos quais nos ampliamos e prolongamos constituem

    vastas cirurgias coletivas levadas ao corpo social com completo desdm pelos

    anestsicos. [...] Ao se operar uma sociedade com uma nova tecnologia, a rea que

    sofre a inciso no mais afetada. A rea da inciso e do impacto fica entorpecida. O

    sistema inteiro que muda. (MCLUHAN, 1964, p 84)

    Cada animao, em vdeo stop motion no Vine ou no Instagram, uma narrativa

    particular de um momento nico atravs do aparato tecnolgico, o smartphone. Como se o

    prprio homem entrasse no aparelho de celular e ganhasse vida em outra dimenso, como

    definiu McLuhan (1964, p.59) Os homens se tornam fascinados por qualquer extenso de si

    mesmos em qualquer material que no seja o deles prprios

    A histria da cultura cinematogrfica plena de transformaes, cujas personagens

    principais, os cineastas, diretores, roteiristas, produtores entre tantos que contriburam para

    revelar ao mundo as possibilidades de mudana, dentro e fora da mdia hegemnica.

    Os videoartistas dos anos 1960 se tornaram exemplos concretos de como a arte pode

    ajudar a desconstruir esteretipos e definies mercadolgicas implementados pela indstria

    cultural, ou seja, como analisaram Adorno e Horkheimer (1985) h que se estar alerta acerca

    da dominao exercida pela mdia hegemnica, com padres miditicos repetitivos,

    despertando nos agentes sociais as necessidades de consumo. Nenhuma sociedade teve o

    conhecimento suficiente de suas aes a ponto de poder desenvolver uma imunidade contra

    suas novas extenses ou tecnologias. Hoje comeamos a perceber que a arte pode ser capaz de

    prover uma tal imunidade. (MCLUHAN, 1964, p 84)

    Essa transio de identidade ainda necessita de pesquisas cientficas adequadas para

    registrar o papel do consumidor/produtor e do produtor/artista dentro da cultura participativa

    das redes sociais, ou cultura de convergncia (JENKINS, 2005).

    O agente social est sendo influenciado por essas duas plataformas (Vine e Instagram) a

    conhecer e praticar linguagens audiovisuais. Embora existam usurios mais ousados, no deixa

  • 50

    de ser pertinente o fato de que num futuro prximo a maioria dos usurios (fotgrafos,

    videomakers, ou no) de smartphones (pequeno dispositivo mvel antes usado apenas para fazer

    e receber ligaes), possuiro um conhecimento de bsico a avanado sobre a linguagem

    audiovisual.

    6.1. Propriedade intelectual

    Um ponto que destacamos nesta investigao a questo da propriedade intelectual em

    tempos de cultura digital participativa. As duas vdeo artistas entrevistadas, Ryle e Cignoli

    afirmaram desconhecer o teor completo dos contratos que aceitaram, ao preencher o cadastro

    de usurio das redes (tanto Vine como Instagram).

    Em sntese as empresas afirmam que a responsabilidade sobre o contedo da publicao

    do usurio responsvel pelo cadastro, mas em virtude do vdeo ter sido veiculado atravs do

    site que pertence a empresa proprietria da rede social, o autor do vdeo transfere para a referida

    empresa todos os direitos sobre o produto compartilhado.

    Voc detm seus direitos sobre qualquer contedo que voc enviar, postar ou exibir

    nos servios ou atravs deles. A fim de tornar os servios disponveis para voc e

    outros usurios, o Vine precisa de uma licena de voc. Ao enviar, postar ou exibir

    contedo nos ou atravs dos servios, voc nos concede uma licena mundial, no-

    exclusiva e isenta de royalties (com o direito de sublicenciar) para usar, copiar,

    reproduzir, processar, adaptar, modificar, publicar, transmitir, exibir e distribuir tal

    contedo em toda e qualquer mdia ou mtodos de distribuio. (VINE, 2013, online)

    O Instagram no reivindica a posse de qualquer contedo que voc postar no ou

    atravs do Servio. Em vez disso, voc decide conceder ao Instagram uma licena no

    exclusiva, totalmente paga e livre de royalties, transfervel, sublicencivel, uma

    licena mundial para usar o contedo que voc postar no ou atravs do servio, sujeito

    poltica de privacidade do servio. (INSTAGRAM, 2013, online)

    Para ter acesso aos servios oferecidos pelas operadoras de telecomunicaes, os

    agentes precisam antes, informar todos os dados cadastrais (pessoal/profissional), aceitar e

    assinar um contrato de servios, que lhes permitir enviar e receber ligaes, mensagens de

    textos, acessar a internet, entre outras atividades que podem ser realizadas atravs do aparelho

    de celular inteligente (smartphone).

    Ao criar um cadastro online, tanto no Vine quanto no Instagram, o usurio aconselhado

    a ler os termos de servio da rede social e depois, dever apertar o boto que confirma a

    aceitao total dos termos. Nos contratos constam informaes acerca da idade mnima

  • 51

    permitida para se cadastrar na rede social, poltica de privacidade, restrio de contedo,

    segurana, direitos e deveres do usurio e da empresa proprietria da rede social, entre outras.

    O agente social produtor de contedo audiovisual para Instagram ou Vine, ao aceitar os

    termos do contrato, transfere os direitos sobre sua propriedade intelectual. Em seu artigo "A

    economia criativa e a cultura popular: fetichismo da propriedade intelectual em tempos de

    capitalismo cultural" a pesquisadora e professora da UFRN, Regina Cunha (2013, p.1) alerta

    sobre os perigos da nova economia participativa e criativa que busca o enquadramento dos

    produtores culturais nas antigas leis de mercados. "A economia criativa trata da gerao de

    riqueza a partir de coisas intangveis, como o conhecimento, a cultura e a criatividade. So

    ofcios e manifestaes culturais produzidos com saberes ancestrais, muitas vezes passados

    oralmente, de gerao em gerao". Cunha (2013) cita Marx para destacar que estamos vivendo

    um tempo de fetichismo da propriedade intelectual forado pelo capitalismo cultural.

    Estamos considerando uma situao em que o trabalhador no apenas possua o

    instrumento, mas na qual esta forma do trabalhador como proprietrio [...] em outras

    palavras, o desenvolvimento artesanal e urbano do trabalho. Por isto, tambm,

    encontramos aqui as matrias primas e meios de subsistncia mediados como

    propriedade do arteso, mediados atravs de seu ofcio, de sua propriedade do

    instrumento. [...] Resumidamente, o carter essencial dos sistemas de guildas, ou

    corporativos (trabalho artesanal como sujeito e elemento constituinte da propriedade)

    analisvel em termos de uma relao com o instrumento de produo: a ferramenta

    como propriedade. (MARX, 1985, p.94-95 apud CUNHA, 2013, p.5).

    Contudo, um aplicativo sem usurios criativos e compartilhadores no faz sucesso e no

    gera dinheiro. Contas inativas tambm no so interessantes para nenhuma empresa de rede

    social, nem para qualquer outro tipo de empresa. Cignoli (2013) no concorda com a licena

    que obrigada a passar para o Vine, mas afirmou que aceitou os termos. Ao responder sobre a

    questo da possiblidade do aplicativo Vine ter contribudo para torn-la mais conhecida do

    pblico e inclusive com ofertas de trabalho com melhor remunerao, Cignoli (2013) afirma

    que sou grata ao Vine, estou feliz que eu o usei intensamente desde o lanamento,

    conquistando uma audincia. A exposio foi muito til para a minha carreira. Mas eu acho que

    eu me esforcei para filmar todas essas horas e criar esse tipo de trabalho.

    Ryle (2013) afirma que no se preocupa com os direitos do Instagram sobre suas

    produes e respondendo ao mesmo questionamento feito a Cignoli a artista informou que o

    Instagram tem colaborado para meu sucesso, proporcionando exposio da minha arte. Eu no

    teria sido capaz de obter o mesmo resultado satisfatrio sem o servio do Instagram.

  • 52

    A regra que o usurio produza, compartilhe e coopere com a comunicao mediada

    por computador (CMC) atravs da plataforma oferecida pela rede social. O usurio, por sua

    vez, usa o servio da plataforma para se promover, ou promover seu trabalho artstico (no caso

    desta investigao o produto audiovisual).

    Um pintor no compartilha os direitos da sua obra de arte com a empresa dona do pincel

    ou das tintas. Da mesma forma o fotgrafo no era obrigado a compartilhar os direitos das fotos

    com as indstrias produtoras das pelculas, como Kodak; ou ainda ceder os direitos para os

    fabricantes das mquinas fotogrficas, Cannon ou Nikon, por exemplo. Entretanto, novas regras

    sobre a propriedade intelectual esto sendo escritas, em tempos de capitalismo na cultural

    digital, e elas precisam ser discutidas por todos os agentes sociais que compartilham do

    ciberespao, quer estejam nele, ou ainda, fora dele.

    .

  • 53

    REFERNCIAS

    ADORNO, Theodor W; HORKHEIMER, Max. Dialtica do Esclarecimento. Trad. Guido Antonio de

    Almeida. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed, 1985.

    BAREM, Manu. Instagram ou Vine? Analisamos todos os prs e contras dos dois apps! In: youPIX,

    24/6/2013. Disponvel em Acesso em: 30 Set 2013.

    BELLIS, Mary. Who Invented Touch Screen Technology?In: About.com Disponvel em:

    . Acessoem: 10 Set 2013.

    BULL, G. & KAJDER, S. (2004). Digital storytelling in the language arts classroom. Learning &

    Leading with Technology, 32 (4), 46-49.

    BURTON, Summer Anne.The 21 Most Creative Instagram Accounts Of 2013 In: BuzzFeed, 2/12/2013.

    Disponvel em:

    Acesso em: 8 Dez 2013.

    CARLSON, Nicholas. The End Of The Smartphone Era Is Coming. In: BusinessInsider, 22/11/2012.

    Disponvel em: .

    Acesso em: 17 Out 2013.

    CARVALHO, Nadja. Da telinha do celular, pequenas mdias ditam um novo conceito.In: Peridicos

    UFPB. Disponvel em: < http://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/cm/article/view/11626>. Acesso em:

    Joo Pessoa, Paraba, 2008.

    COOK, Tim. Apple chiefsdiscussstrategy. In: GROBART, S. Business Week.com, 19/09/2013.

    Disponvel em: Acesso em: 2 Dez 2013.

    CROOK, Jordan. A Professional Viners Take On Instagram Video. In: TechCrunch, 25/6/2013. Disponvel em:

    Acesso em: 02 Nov 2013.

    CUNHA, Sonia Regina Soares da. A economia criativa e a cultura popular: fetichismo da propriedade

    intelectual em tempos de capitalismo cultura. In: ANAIS Intercom 2013, Folkcomunicao, Manaus,

    AM. 2013.

    DICTIONARY.com. Disponvel em:

    Acesso em: 2 Dez 2013.

    DONATON, Scott. Publicidade+entretenimento: Por que estas duas indstrias precisam se unir para

    garantir a sobrevivncia mtua. So Paulo: Cultrix, 2007.

    DORSEY, J. With Vine, Twitter Will Take Your Videos Now. In: BOSKER, B. The Huffington Post,

    01/24/2013. Disponvel em: Acesso em: 2 Dez 2013.

    DUARTE, Jorge; BARROS, Antonio. Mtodos e tcnicas de pesquisa em comunicao. 2. ed.- 4.

    reimp.- So Paulo: Atlas, 2010.

    ERICSON.85 percent of the world's population covered by high-speed mobile internet in 2017.In:

    Ericsson, 5/6/2012. Disponvel em: Acesso em: 16 Out

    2013.

    FREIRE, Cristina. Arte Conceitual. 1. ed. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed, 2006.

  • 54

    GOOGLE. Our mobile planet. In: Think with google.Disponvel em:

    . Acesso em: 19 Nov 2013.

    HAAS, Guilherme. Vine: 5 sites para encontrar os vdeos mais populares. In: TecMundo16/8/2013.

    Disponvel em: Acesso em 8 Dez 2013.

    INSTAGRAM. Terms of use. In: Instagram, 2013. Disponvel em:

    . Acesso em: 16 Nov2013.

    JENKINS, H. Cultura de convergncia. Traduo Suzana Alexandria. So Paulo: Aleph, 2008.

    _____. Digital Storytelling. In: Henry Jenkins. Disponvel em:

    Acesso em: 10 Dez 2013

    JOBS, S. Apple Confirma Expectativa e lana telefone com iPod. In: Globo, G1, 09/01/2007.

    Disponvel em: Acesso em: 2

    Dez 2013.

    KATCHBORLAN, Pedro. Infogrfico: Vine x Instagram uma batalha de nmeros. In: youPIX, 13/8/2013. Disponvel em Acesso em: 5 de Out 2013.

    LEI DE DIREITOS AUTORAIS. Lei n 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. In: JusBrasil. Disponvel

    em Acesso em: 8 Dez 2013.

    MCLUHAN, Marshall. Os meios de comunicao como extenses do homem. So Paulo, Cultrix,

    1999.

    PAOLO. Global mobile statistics 2013 Part B: Mobile Web; mobile broadband penetration; 3G/4G

    subscribers and networks. In: MobiThinking. Disponvel em: Acesso em 17 de Out 2013.

    RECUERO, Raquel. Redes Sociais na Internet. Porto Alegre: Sulina, 2009.

    REDAO, Agncia RS. Vine j ultrapassa Instagram em nmero de compartilhamentos conhea o Best Vines. In: AgenciaRS, 17/6/2013. Disponvel em: Acesso em: 8 Dez

    2013.

    _____, Canal Tech. Pgina que mais cresce no Facebook promove servio concorrente. In: CanalTech,

    16/7/2013. Disponvel em: Acesso em: 8 Dez 2013.

    _____, G1. Instagram atinge a marca de 150 milhes de usurios. In: G1, Globo, 8/9/2013. Disponvel

    em: Acesso em: 8 Dez 2013.

    _____, Olhar Digital. Vine ultrapassa marca de 40 milhes de usurio. In: OlharDigital, 20/8/2013.

    Disponvel em: Acesso em: 8 Dez 2013.

    _____, Sap Blog.5 estatsticas surpreendentes do mundo mvel.In: Blog.sap, 22/2/2013. Disponvel em:

    Acesso em: 17 Out 2013.

  • 55

    ROHRER, Finlo. Vine: Six things people have learned about six-second video in a week.In: BBC,

    30/1/2013.Disponvel em: . Acesso em: 2 Out 2013.

    RUSH, Michael. Video Art. Nova Iorque,Thames& Hudson, 2003.

    SCARTOZZONI, Bruno. Storytelling e Transmdia: afinal, o que e para que serve? In: UpdateOrDie,

    17/03/2011. Disponvel em: Acesso em: 8 Dez 2013.

    SILVA, Polyana Incio Rezende. Dinmicas Comunicacionais Na Representao Da Vida Cotidiana:

    Instagram: um modo de narrar sobre si, fotografar ou de olhar para se ver. In: Portal do Intercom.

    Disponvel em

    Ouro Preto, MG, 2012.

    SILVERMAN, David. Um livro bom, pequeno e acessvel sobre pesquisa qualitativa.Traduo: Raul

    Rubenich. Porto Alegre: Bookman, 2010.

    TALREJA, Prerna. Instagram vdeo vs. Vine: Why Vine will emerge on top. In: PolicyMic, 5/7/2013.

    Disponvel em Acesso em: 5 Out 2013.

    VINE. Terms of service. In: Vine, 2013. Disponvel em: . Acesso em: 16 Nov

    2013.

    YAROW, Jay. Mary Meeker's Latest Must-Read Presentation On The State Of The Web.In:

    BusinessInsider, 3/12/2012. Disponvel em: Acesso em: 16 Out 2013.

    YIN, Robert K. Estudo de caso: planejamento e mtodos. trad. Daniel Grassi. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2005.

  • 56

    ANEXO I

    Entrevista feita por e-mail com a fotgrafa Meagan Cignoli (2013)

  • 57

    ANEXO II

    Entrevista feita por e-mail com a ilustradora Rachel Ryle (2013)